domingo, 27 de setembro de 2015

Segundo fruto: Ver com um novo olhar

O mês da Bíblia nos coloca diante do Evangelho de João e do tema: Discípulos missionários a partir do Evangelho de João e do lema: “Permaneçam no meu amor para dar muitos frutos” (Jo 15,8-9).

Estamos procurando identificar e saborear os frutos produzidos pelo encontro e permanência com o Senhor.

Jesus é luz. “Essa luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram apagá-la” (Jo 1,5). Ele veio ao mundo como luz. “A luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo” (Jo 1,9). Ele torna clara a visão de fé dos que dele se aproxima, abrindo os olhos do coração. O próprio Jesus diz: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5).

Nosso texto é João 9,1-41. O cego de nascença.

A questão fundamental, presente no texto, é a cegueira dos homens. Ou seja, a falta da fé verdadeira. O contexto desta narrativa são os conflitos e tensões gerados por causa da opção de fé em Cristo Jesus.

Esse texto faz parte do Livro do Sinais (cf. 2,1-1,57), sobre a Obra de Deus, segundo o evangelista João. O livro dos Sinais mostra as atividades de Jesus como enviado do Pai, para revelar ao mundo ao Boa Notícia da salvação recontada em sete sinais. São catequeses sobre o mistério da fé, para favorecer a opção fundamental; o sim ou o não, o crer ou não crer de quem se aproxima de Jesus.

O capítulo 9 de João, pode ser subdividido em sete cenários, segundo Johan Konings, em seu livro, Evangelho segundo João: amor e fidelidade, p.195-196…

– Cenário 1: Jo 9,1-7. O Sinal como tal (Jesus, os discípulos e o cego);

– Cenário 2: Jo 9,8-12. As diversas reações: os vizinhos;

– Cenário 3: Jo 9,13-17. Primeiro Interrogatório das autoridades;

– Cenário 4: Jo 9,18-23. Segundo Interrogatório das autoridades;

– Cenário 5: Jo 9,24-34. Terceiro Interrogatório das autoridades;

– Cenário 6: Jo 9,35-38. O reencontro de Jesus com o cego e a profissão de fé;

– Cenário 7: Jo 9,39-41. Os cegos que não querem ver: as autoridades.

Pela estrutura do texto, já dá para perceber a intenção do autor do livro sagrado: mostrar o quão insuficiente é a justificativa de fé das autoridades judaicas, baseada numa interpretação muito superficial da Lei.

Frente ao cego, a pergunta inevitável é: “quem pecou?”. Esse era o ensinamento recorrente. Mas, os profetas e, também, Jesus afirmam que este ensinamento não é verdadeiro. A cegueira física do pobre e mendigo não tem nada a ver com pecado. Mas, curando o cego de nascença, Jesus dá eloquência a um daqueles sete sinais que conduzem ao Reino de Deus: livrar-se da cegueira que impede de reconhecê-lo como o enviado do Pai.

Os vizinhos duvidam da identidade do cego. Os fariseus procuram desacreditar Jesus, pressionam os pais do cego… nada conseguem. Tentam forçar o próprio ex-cego a negar, sob juramento, que Jesus é um pecador. Com a negativa do cego, expulsam-no com violência.

A profissão de fé do ex-cego, em Jesus, é o auge da adesão ao Reino e seguimento do mestre. Enquanto o cego enxerga cada vez melhor, aqueles que dizer ver, tornam-se cada vez mais cegos. Assim, o cego passa de discípulo e testemunha, a um anunciador do Verdadeiro Mestre, àqueles que são denominados mestres da Lei. O cego é símbolo daqueles que fazem o processo progressivo de conhecimento de Jesus. Ele é o mestre, o Enviado do Pai, o Profeta, o Messias, o Filho do Homem, o Senhor.

O final do texto bíblico é lapidar e põe em questão a adesão de fé de quem diz ter fé: “‘Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.’ Alguns fariseus que estavam perto dele ouviram isso e disseram: ‘Será que também somos cegos?’ Jesus respondeu: ‘Se vocês fossem cegos, não teriam nenhum pecado. Mas como vocês dizem: ‘Nós vemos’, o pecado de vocês permanece” (Jo 9,39-31).

Isso serve para nós como questionamento. E, é Jesus mesmo quem pergunta: “em quem você crê?

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Via Diocese de Oeiras

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