sábado, 18 de agosto de 2012

Semana Nacional da Família. Do Seminarista Igor Silva as Famílias de Esperantina e da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Esperança.


Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”. (Js 24, 15)
*Igor de Sousa Silva


1.      Família, tesouro da Igreja.
Quando leio esta passagem Bíblica, fico pensando como as Famílias do passado serviam ao Senhor, e como as do século XVI servem o Deus da vida, e de que modo podem servir. Há muitas questões que são visíveis e no qual a família pode retirar como formula para viver os desígnios que Deus traz através da Palavra que é mecanismo de uma transformação interior e metanoica. E a primeira formula para servir é fazer a “experiência do encontro pessoal com o Cristo Ressuscitado”. O contato real com Jesus nos faz pessoas determinadas a decidir o que realmente queremos e o que buscamos no íntimo do nosso ser, dessa forma poderemos servir ao Senhor da nossa história naquilo que nos comprometemos diante da sociedade. O Documento de Aparecida fala da experiência para ser discípulo: toda família é convida ser discípula de Cristo; toda “a Família é um dos tesouros mais importantes (...) e é o patrimônio da humanidade inteira” (DA, 43). O mesmo enfoca a família como sendo aquela que é o tesouro essencial para que haja paz. É da família que brota as vocações, por ser também o berço da vida e o inicio de toda uma história na qual há marcas de desgraças e violências, mas que é chamada a viver os designíos de Deus, sendo portadora da Boa Nova.
2.      Educação da Prole
A Família em sua totalidade é à base de toda uma educação voltada para viver o amor: o conjugal e, sobretudo, para com a prole (fruto do amor entre duas pessoas) que tem o vinculo marcado pelos laços matrimoniais diante de Deus. O compêndio da Doutrina Social da Igreja enfoca que “na família se aprende a conhecer o amor e a fidelidade do Senhor e a necessidade de corresponder-lhe os filhos aprendem as primeiras e mais decisivas lições da sabedoria prática com que são conexas as virtudes” (DSI 210). As virtudes são necessárias para servir ao Senhor começando no seio familiar, e fazendo chegar a outras famílias.
No que diz respeito aos filhos, a Igreja com sua sabia doutrina mostra que a família é a primeira catequista, ou seja, a Igreja doméstica que tem por obrigação ser “a escola da fé e possa ajudar os pais a serem os primeiros catequistas de seus filhos”. (DA 302). Cada membro familiar é convidado a ser capaz de mudar o ambiente em que vive praticando os Dez mandamentos contidos no Antigo Testamento no Livro do Êxodo 20, 1-17. Estes nos colocam diante da Lei que nos move através de séculos na vida do homem. A família é convidada a dá passos cada vez mais para frente, a cada instante na própria vida, tendo os alicerces necessários para não se perder no mundo no qual vivemos.

3.      Família, comunidade eclesial
A família torna-se uma comunidade eclesial domestica, quando vive o que Cristo viveu, anunciou e concretizou por meio de Seus atos, e devido a ação salvifíca de Jesus, a família é convocada a dá testemunho concreta da fé de Jesus Cristo através dos dons que “recebeu de Deus a missão de ser a primeira célula vital da sociedade”. (AA 11). A família é pupila dos olhos da Igreja, e a sua importância é essencial ao globo ocular de uma questão atual, social e religiosa.
Vivemos em mundo marcado pela globalização, e a família está inserida nesse meio globalizado, põem-se à disposição de tudo em que está ao seu redor e vive as necessidades que o mundo vós oferece, ameaçada de sua identidade verdadeira: servir e viver o amor conjugal mutuamente esquecendo testemunhando na própria vida.
4.      Textos bíblicos no seguimento ao Senhor
Muitas são os textos usados para que as famílias possam viver e caminhar com prudência testemunhando o Reino de Deus em suas vidas.
Honra teu pai e tua mãe é um preceito bíblico, não um mero mito, nem um conto de fadas. É uma norma que nos interpela e nos chama atenção ao respeito, à obediência e ao amor aos nossos pais. (cf. Eclo 3, 1-18). Os filhos têm por caridade servir a seus pais; esta é uma formula de ajudar a quem lhe deu a educação desde o inicio de sua vida. Observando famílias cujos membros dialogam e vivem em comunhão, temos a certeza de que vivem e praticam uma catequese familiar bem feita.
Quando Jesus diz que a sua família são aqueles que praticam a palavra de Deus, ele não quis excluir aqueles que foram à sua procura, mas mostrou aqueles que estavam com Ele, ou seja, mostrou realmente que não devemos só ler a Sagrada Escritura, mas na pratica da vida e no jeito simples de viver dá a observância do testemunho, sermos discípulos que apresentam Jesus através da “experiência”. (cf. Mt 12. 46-50). A família fundamentada na Palavra de Deus é impulsiona a, anunciar com ardor missionário, aquele mesmo ardor que sentiram os discípulos de Emaús ao falar com o Ressuscitado, mesmo sem o ter no primeiro momento o reconhecê-lo quando estavam percorrendo o caminho para chegar ao seu destino. É na estrada da vida que Jesus aparece a cada um de nós e nos explica as passagens da Sagrada Escritura e, é na partilha do Pão, que nós o reconhecemos e damos testemunho da experiência feita (cf. Lc 24, 13-35). Quantas famílias vão percorrendo o caminho da vida sem ter um objetivo a sua frente. A família deve sentir em seu peito a chama ardente do Ressuscitado e partilhar os dons que recebera da vida de Jesus doada na Cruz.
Diante das dificuldades e dos conflitos internos existentes nas famílias, a oração aparece como alicerce vital, como um dos dons do Espírito Santo, fazer o discernimento das reais situações que vão alastrando a comunidade familiar. No livro da Sabedoria é relatada a essência do ser pessoa sabia diante dos problemas e de como saber resolve-los com pureza e prudência de coração, tendo por base o “reflexo da luz eterna, espelho sem mancha do poder de Deus e imagem da sua bondade”. (cf. Sb 7, 22-30).
Muitas são as famílias que passam por provações ligadas ao serviço do Senhor. Somos testados, provados, por aquilo que constituímos numa sociedade muito diferente dos olhos de Deus. Deus em seu amor e bondade nos dá força de continuar a ser perseverante na caminhada, nunca desistir de um Reino favorável para todos. Devemos suportar as dificuldades e as dores das duras perseguições que somos incumbidos a enfrentar, sempre com as armas da justiça, do amor, da caridade, humildade, fraternidade, solidariedade e competência. Estas são as armas que são usadas por aqueles que são impelidos pela Palavra de Deus. (cf. Eclo 2. 1-6; Tg 1, 2-4).
A família é uma instituição convidada participar de quase tudo que a realidade social estabelece. Ela precisa de uma visão real do mundo, a fim de aderir o que lhe é próprio, tendo por  base a relação com a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja em vigor. É chamado a conhecer o que a Igreja diz sobre o mundo em que vivemos, a escolher o que de melhor lhe convém, e que nos traz as graças necessárias para viver bem e em abundância. Para não se perder na ideologia que o mundo oferece com facilidade, o mais fácil, o melhor.
O Evangelista Mateus no capitulo 5 apresenta  As bem aventuranças como uma lei que tem por centro o respeito ao ser humano. A família é convocada a ter o coração pobre, humilde e simples, e deixa-se guiar pelo Espirito Santo; a ser consolo aos que necessitam de mais amor, e dá o que o outro merece; a ser manso diante da violência e testemunhar a paciência; e ser propagadora de uma justiça que traga o bem comum e coletivo a todos os que necessitam; a ser misericordiosa e, sobretudo, a perdoar os irmãos em suas fatalidades; buscar a pureza de coração; a ser promotores da paz em todas as circunstancias, na própria casa, no trabalho, na vida dos etc; por ser agente na promoção da Justiça, nunca desistir de ser missionária que denuncia as corrupções e leva a verdade ao pleno comprimento; e ser testemunha diante de tantas facetas que a sociedade elabora contra os que anunciam a vontade do Pai e a perseguem por conta da Palavra Eterna que lhe dá força, e lhe faz discípula ( cf. 5, 1-12) .
5.      A família “imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1, 26)
Quando Deus nos criou pelo seu imenso Amor, Ele não nos criou para o pecado, mas nos cunhou para amar e servi-lo com todo coração e toda alma em plena liberdade. A nossa essência maior é amar. “Deus criou o ser humano incorruptível e o fez imagem de Sua própria natureza” (Sb. 2, 23).
Com a capacidade que temos e com os requisitos adquiridos da experiência pessoal e palpável com Cristo, a nossa semelhança com o Pai-Criador se torna evidente e solida. Assim, as famílias tendo feito o encontro com o Amado tornam-se análogo a Deus em tudo aquilo que era antes do pecado.
As famílias que vivem uma vida desenfreada são impedidas, pela vida que optaram, do encontro com o próprio Cristo, mas que no entanto são convocadas a ser em semelhantes a Deus pelo o Amor que ele tem por nós, deixando a vida mundana e buscando ser do Todo-poderoso.

6.      Famílias Orantes
Quando as famílias unem-se para rezar em todas as ocasiões, permanecem sempre unidas pelo vínculo da oração que cada um eleva a Deus. Família unida permanece unida. Para vivermos unidos precisamos do tronco que é Jesus no qual somos ramos e, pertencendo ao tronco, devemos produzir frutos abundantes e de qualidades. (cf. 15, 1-8).
As famílias orantes são aquelas que estão em união com Pai por meio do testemunho, da caridade e da fé.
Testemunhar Cristo em todas as situações em que vivemos não é fácil, até mesmo nos lugares que em habitamos como nossos próprios lares, porque dá testemunho, é ser outro Jesus, ser igual ao Filho e é uma dificuldade que temos em demostrar em muitas ocasiões da nossa vida.

O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la: "Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja. O serviço e o testemunho da fé são requisitos da salvação”. “Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus”. (Mt 10,32-33). (CIC. 1816)

                A Caridade Cristã é o próprio Amor, não é uma solidariedade humanista, mas acima de tudo é o amor ao próximo em suas dificuldades. A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus”. (CIC 1822). A família que se empenhar em afeiçoar a Caridade como centro de sua vida em favor do irmão, até mesmo perdoado em suas perversidades, será grandiosa aos Olhos de Deus.

O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade ( CIC 1825) : "A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).

A mostra a cremos no Senhor, e em suas palavras que são de vida Eterna e de seguimos no empenho ao Reino. (cf. Jo 6, 63). Ela nos move a sermos cada vez sólidos e determinados no anuncio e na pratica da Justiça que abre os nossos olhos para as diversas conjunturas que afetam a sociedade e principalmente as famílias.

A fé é um dom gratuito que Deus concede ao homem. Podemos perder este Dom inestimável; São Paulo alerta Timóteo sobre isso: 'Combate... o bom combate, com fé e boa consciência; pois alguns, rejeitando a boa consciência, vieram a naufragar na fé" (1Tm 1,18-19). Para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus; devemos implorar ao Senhor que a aumente; ela deve "agir pela caridade" (Gl 5,6), ser carregada pela esperança e estar enraizada na fé da Igreja. ( CIC 162)

Portanto, a família é à base de todo caminho que leva ao Pai, ou seja, são apelidados a viver o matrimonio como serviço ao próximo, tendo com alicerce a própria vocação “fundada e vivificada pelo amor” (FC, 18). A família é convida a se aproximar do Amor criador, Amor este que muda o rosto dos demais irmãos quando estão sem esperança, de viver e continuar a ser um mensageiro do Verdadeiro sentido da vida. Por que quem serve ao Senhor, primeiro em sua casa, servirá em qualquer lugar em que for e estiver. Por que o amor de Deus para quem o experimenta não tem fronteiras e, no entanto terá sempre a chama acesa que erradia em qualquer lugar.

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*Igor de Sousa Silva é graduado em Filosofia pelo Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí e atualmente estudante do Curso de Bacharelado em Teologia.

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