sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os pensamentos de Deus






No capítulo um do Gênesis quando se fala da semana da criação, antes de criar o homem, Deus dialoga consigo mesmo e num ato de deliberação, Ele diz: “façamos”! (Gn 1, 16). Está expressão que o Autor sagrado utiliza nos chama atenção, pois revela os pensamentos e os projetos de Deus para o ser humano.

Por outro lado, temos a criatura, o ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus, que pensa e agi de acordo com os seus planejamentos. Como descobrir então, que os nossos pensamentos estão de acordo com os pensamentos de Deus? Como despertar para uma realidade ou dela “fugirmos” quando a descobrimos que ela não está de acordo com os pensamentos de Deus? Em resumo: será que nossos pensamentos andam próximos dos pensamentos de Deus?

O profeta Isaias (55, 6-9) nos fala desta situação. Lá ele diz que somos convidados a descobrir um Deus cujos caminhos e cujos pensamentos estão acima dos caminhos e dos pensamentos dos homens, quanto o céu está acima da terra. Portanto, ele nos sugere, em conseqüência, a renúncia aos projetos do mundo e a conversão aos pensamentos de Deus.

Mas qual é o pensamento de Deus a fim de que dele possamos nos aproximar? De acordo com o Evangelho de São Mateus (20, 1-16) podemos dizer que ele é pautado por três ações, ou seja, pelo seu agir; pela sua observância e, pela justiça.

O agir de Deus. Nos Gênesis está presente esta ação. Ele dialoga consigo mesmo e se comunica por meio da criação. Em Mateus ela é representada pelo patrão que sai pelas praças em busca de trabalhadores para a sua vinha e, por cinco vezes toma esta atitude para demonstrar a sua ação permanente em busca do ser humano, a sua criatura (20, 1; 3; 5; 6). Ora, só quem tem uma vinha nestas proporções deve, antes de tudo, pensar, refletir para que a maneira de trabalhar alcance as metas desejadas.

A segunda ação do pensamento de Deus é a observação. Diz o evangelista nesta parábola que o patrão saiu e pelas cinco horas da tarde observou que havia ainda homens despreocupados, ou seja, sentados na praça e perguntou (20, 6): por que estais aí o dia inteiro? Isso é obvio que somente quem bem observa consegue perceber as pessoas em sua plena dignidade, no seu modo de agir. Deus, portanto é aquele que nos observa o tempo todo e, sabe exatamente o que estamos pensando. Ele nos ver a todo o momento.

A terceira é a justiça. Deus “calcula” o quanto nós valemos e, pela referida parábola, percebemos que todos diante d’Ele possuem o mesmo valor. Ele combina uma moeda de prata por dia (20, 2) e, esta quantia equivale tanto para os últimos como para os primeiros (20, 16). Em síntese, o pensamento de Deus não tem acepção de pessoas.

E os nossos pensamentos como são? Eles também vêm representados neste relato. Diz que quando chegou à hora dos primeiros trabalhadores receberem o seu salário pensaram que iam receber mais do que aqueles últimos contratados (20, 10). Vejamos que a nossa lógica de pensar e de agir é diferente daquela de Deus, por isso afirma o profeta Isaias que os pensamentos de Deus estão à cima dos nossos pensamentos (55, 9). O nosso modo naturalmente está voltado para o lucro e para as vantagens. Nos dias de hoje quem são os últimos da sociedade que tem o mesmo “privilegio” dos primeiros?

Diante disso, algumas atitudes devemos tomar para que a distância seja encurtada entre o nosso pensamento e o pensamento de Deus. A primeira atitude é voltarmos para Ele. “Voltar para Deus” é um movimento que exige de nós uma transformação radical, de forma que os nossos pensamentos e ações reflitam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus; dado este passo vem a sua conseqüência, ou seja, vivermos à altura do Evangelho de Cristo (Fl 1, 27). Isto significa, como canta Padre Zezinho, “viver como Jesus viveu, pensar como Jesus pensou”.

Portanto, os nossos pensamentos só serão equiparados aos de Deus quando eles pensarem na justiça e perceberem que os trabalhadores de hoje são os que precisam viver com dignidade; quando tirarmos os homens das “praças do desemprego” e recolocá-los no planejamento com seus salários digno. Somente assim o Senhor estará perto das pessoas que O invoca lealmente (Sl 144,3).

Por Wagner Carvalho,
Seminarista Quarto Ano de Teologia
http://wagnerteo.blogspot.com/p/espiritualidade.html

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