segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Missão é “esvaziar-se”

Identificando-se com Jesus, o missionário é convidado a ser pobre (Lc 14, 33). Sonhar com status, poder, prosperidade, salários, carro último ano, conforto e bem-estar que a religião do consumo prega, choca profunda e exacerbadamente com a insistência de Jesus para um trabalho gratuito, despojado, apoiado na providencia de Deus (Lc 9,1-5). Se olharmos um pouco a questão da proveniência de uma maioria de nós chamados à vida consagrada e presbiteral, não nos esquecendo de nossas raízes, deveríamos manter uma postura popular e simples, sem encontrar dificuldade na nossa inserção a realidade do povo, encarnado-nos na cultura nossa, que é a cultura deles (cf 1 Cor 1,26-31).

O esvaziar-se como Cristo, que assumiu a nossa condição humana (Fl 2,7), é o processo pelo qual todo missionário deve passar, pois deveríamos ter os mesmos sentimentos que havia em Cristo (Fl 2,5). Fazendo-se pobre, ele é enviado aos empobrecidos. Somente fazendo a experiência de pobreza junto aos pobres, é que o missionário vai sentir a dureza da pobreza, fruto da injustiça, podendo receber a iluminação e a força necessária para uma caminhada libertadora (cf Ex3, 7-10).

É preciso refletir que o missionário, é alguém, portanto, que se converteu como Zaqueu (Lc 19, 1 – 10). Zaqueu vê Jesus e se converte, muda de vida, aderindo às suas exigências. É como a Samaritana (Jô 4, 5-52) que, no dialogo com Jesus pede a água viva, e é introduzida no mistério da missão do mestre e, envolvida pelo Espírito de Jesus, sai correndo, deixa os seus cântaros e vai anunciar o Messias que ela acabou de encontrar. É ainda, como Maria Madalena (Jô 20,17) que viu Jesus, e sai correndo para anunciar aos discípulos a ressurreição do Senhor.

Vale insistir que, o missionário, a missionária é como são Francisco Xavier, São Francisco de Assis, Teresa d’Ávila, João da Cruz, Madre Teresa de Calcutá, o bispo Hélder Câmara e tantos outros que doaram e continuam a consumir a vida no meio do povo, atuando na realidade, ensinando a fazer o mesmo que fez Jesus. Não podemos deixar de mencionar que a primeira maneira de evangelizar hoje segundo Paulo VI, é mediante o “testemunho silencioso de uma vida”. Definitivamente devemos esvaziar-nos de nós mesmos, e irmos ao encontro dos preferidos do Mestre!

Por: Francisco Atualpa Ribeiro Filho

Diocese de Bom Jesus – Corrente-PI

Seminarista do IV período de Filosofia.


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Um comentário:

  1. Atualpa Filho sempre com belas palavras.

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