quarta-feira, 29 de julho de 2009

Historia: Comunidade Vila Esperança

No ano de 1925 chegaram do Ceara a família Gomes e França, sendo João Gomes e Inácia Maria da Conceição, também vieram José Rodrigues e Maria da Conceição Rodrigues. Nesta época na propriedade que hoje é denominada Vila Esperança, residia outra família por nome Bispo, sua identidade era José Bispo e Dona Genuína, os mesmos eram rendeiro da propriedade do senhor José Olimpio de Melo, nesta localidade existia muito “Pau de Lei” e “Babaçuais”, então as duas famílias que chegaram do Ceará tiveram os primeiros filhos. Na propriedade fértil começaram a cultivar o arroz, feijão, milho e mandioca.


E foi passando o tempo quando o fazendeiro viu que os moradores estavam mandando de condições, logo despediu o rendeiro e foi logo trazendo outro com o nome de Chico Nascimento, o mesmo colocou uma budega para vender as coisas para os moradores. Eles faziam as roças nos piores lugares e tinha na certeza, se não pagasse renda, não tinha local para fazer a roça no ano seguinte. E o pior de tudo, mesmo pagando renda ainda era sujeito trabalhar um dia por semana para o patrão, se não fosse era expulso da terra. Não passou muito tempo o patão manda Chico Nascimento ir embora e trouxe de Teresina Demonte e Dona Perpetua e seus filhos, pois era uma família muito boa educada.

O fazendeiro chamou todos os moradores que resistiam na comunidade que já somavam mais de 20 famílias e disse: “Eu estou aqui não para explorar, mas, para somar com vocês, o que não aceito e o desrespeito e discriminação, pois sou negro, mais gosto de respeitar a todos”. Não demorou muito tempo e o dono da terra faleceu e o filho jogou rendeiro fora e trouxe outro homem, por nome de Domingos Avexado e sua esposa Dona Tunica, esse foi o pior de todos. Teve inicio a seca, juntando coco de todos os modos sadio e furados, devastou as madeiras de lei, pois tinha muito pé de cedro, pequizeiro, bacuri, pau d’arco e outros, no barracão não tinham quase nada para vender e os moradores, então procuram outros meios.

Em 1982 teve inicio o conflito. Dona Alzira foi pra quitanda vender os cocos que tinha quebrado durante o dia. Por volta das duas horas da tarde ela foi comprar o que comer quando chegou à mulher no barraqueiro mediu os cocos e quando terminou disse: o que você vai querer D. Alzira. Ela disse: Quero arroz, feijão e farinha, a mesma disse que nem tinha alimentos e nem dinheiro, então Dona Alzira disse peque todos os meus cocos que você pesou e me der. A mulher não queria entregar mais foi o jeito e dona Alzira pegou os cocos e foi vender em outro comercio, quando o dono ficou sabendo disse que não ia ficar bem pra ela. Então os outros moradores começaram a vender os cocos, mais às escondidas durante a noite. De 1982 a 1983 ficou liberto, mais em 1984 chegou nesta propriedade um Senhor por nome de Helio Vieira dizendo que tinha comprando a propriedade e falou que queria uma reunião com todos os moradores da comunidade. E quando fez a reunião disse que a partir daquele momento quem vendessem cocos fora ia embora da terra e, logo trouxe um comerciante com o nome de Nonato e sua esposa Dona Lourdes e no começo foi muito bom não faltava nada, quando foi um dia o sindicato de Esperantina, junto com a Emater chegou dizendo que a terra era do Estado.

Então povo começou a vender os cocos fora e o Helio Vieira ficou fora durante 09 meses. Helio recorreu à justiça e ganhou a causa e teve novamente em suas mãos a terra. Então ele veio com suas normas mais pesados do antes com os moradores. O povo já tinha se acostumado a viver libertado não quis aceitar, então novamente Moacir da Emater chega dizendo: que eles tinham perdido a causa, alguns moradores ficaram e outros foram embora para Comunidade Cajueiro onde a terra era do Estado. Dona Alzira foi uma das que ficou e daí então começou a luta com mais força e começaram a freqüentar a Comunidade Coité e lá não teve muita força, mesmo assim todos unidos enfrentaram varias lutas, por exemplo, Roça Comunitária, a derruba da casa que Helio fez impetração de estradas, a policia levou muita gente para delegacia presos. Mais o advogado Arimateia defendeu o povo da Comunidade Coité, não quis mais lutar com a comunidade então o povo da Picada Velha se reuniu um dia de baixo de um pé de Tamarinho Domingos e varias outras pessoas e tomaram a decisão de começar a construção de uma casa para reuniões.
 
Os moradores em mutirão fizeram a casa da comunidade, no dia 15 junho de1993 fez-se a primeira celebração, estavam presentes as comunidades Boi Velho, Mundo Novo II, e varias pessoas de outras comunidades da região, num total de 68 pessoas que escolheram o nome da comunidade de “Vila Esperança”. Até já foram celebrados 14 festejos e não só celebramos, mais lutamos pela vida, como por exemplo, a compra da terra pelo crede fundiário, hoje temos na comunidade o total de 55 famílias morando na propriedade, nem todos participam, mais mesmo assim não é motivo para desanimar, estamos sempre reunidos e fortes, não somos 100% mais temos algo a dizer para as pessoas que nos procuram.

Hoje na comunidade temos gente que é formada em “Missionário do Meio Popular”, pois o mesmo visita mais de 14 comunidades, somando quase 100 pessoas na região entre crianças, jovens, adultos e idosos, ele atua como agente de saúde, coordenador da escola de formação missionária e conselheiro da região VI, cinto me feliz em lutar pela libertação dos mais pobres e necessitados é árdua, mais é gratificante. Fonte: “Raimundo Gomes”

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